Eu curso Artes Plásticas na UEMG, é a estadual de Minas Gerais e muito prestigiada nesses cursos referentes a artes e design. Apenas esse ano que a também conceituada federal criou um curso de design gráfico e não temos como saber da qualidade. A escola de Música da UEMG sabe-se que em muitos instrumentos é bem superior à UFMG, já conheci pessoas que largaram o curso lá por não gostarem. Apesar de que soube que Percursão tem apenas uma vaga na Federal e é mais concorrido que a própria e lendária simbolizada pelo bastão de Hermes Trimegisto, o Curso de Ciências Médicas.
A Escola Guignard, como se denomina o campus de Artes da UEMG, se iniciou em 1943 quando Alberto da Veiga Guignard foi convidado por Juscelino Kubitschek, prefeito de Belo Horizonte na época, para dirigir a escola de Belas Artes que mais tarde veio a se fundir com a Escola de Arquitetura. Guignard era diferente nos seus métodos didáticos, chegando a deixar cinco letras no quadro e ir embora deixando seus alunos a criar e raciocinar profundamente naquilo que se fazia necessário, já que um aluno de qualquer arte nunca está ali forçado por ninguém, e sim por muito prazer de aprender. Essa metodologia sem muitas teorias que permitia o auto descobrimento satisfatório que quaisquer formas de trabalhos manuais de criação, da música à escultura nos gera a todo tempo. A mesma também causou controvérsias no meio artístico trazendo muitas dificuldades à escola por quererem fechá la a todo tempo. O prefeito que regia em 1948, Otacílio Negrão de Lima, tentou interromper o funcionamento da escola por meio de revogação das determinações jurídicas feitas por JK. Após isso Guignard e o restante da equipe se refugiaram no Instituto de Educação de MG continuando seus trabalhos por lá até 1950 quando a escola volta às suas atividades legalmente e é obrigada a se instalar no prédio do Palácio das Artes no qual se encontrava em obras ainda. O parque municipal sendo anexado ao palácio serviu de lugar a muitas aulas de Alberto Guignard, e até hoje as aulas referentes a matéria de Desenho de Paisagem são dadas lá nos sábados de manhã. Apesar de novamente regulamente junto aos orgãos públicos nesse ano, escola se encontrava em dificuldades pela precariedade, ausência de infra estrutura e recursos financeiros, porém mesmo nessa situação sairam dali grandes exposições e a continuidade das aulas era fluente. A escola formou grandes artistas como: Amilcar de Castro; Franz Weissman; Mário Silésio; Farnese de Andrade; Maria Helena Andrés; Mary Vieira e etc.Guignard nunca aceitou integrar a escola ao Sistema Nacional de Educação e a escola funciona dessa forma até hoje, fator que foi responsável por todas essas controvérsias até os dias atuais. Ele adestrava os alunos do jeito que ele somente sabe, não da forma que um secretário de educação formado para viver burocracias saberia. Após o falecimento de Guignard em 62, o grupo do Diretório Acadêmico mantém a administração interina da escola até que em 1973 é fundada a Escola Guignard que consuma de fato a institucionalização da mesma.
Na escola o curso não se chama Belas Artes como na federal e nas outras, chama-se Artes Plásticas, devido ao fato que o corpo acadêmico da instituição na sua maioria, considera que a para ser arte não precisa ser bela. Porém como já discutido o conceito de beleza em muitos ensaios como o de León Tolstói por exemplo, acabamos por voltar ao mesmo suposto paradoxo que torna algo como a revelação de vísceras uma coisa para muitos horripilante porém contendo a beleza da descoberta e dali muitos conhecimentos da própria vida.
Com orgulho faço parte de uma Autarquia de advento revolucionário com seus atos de sustentação pelo trabalho incessante e persistência em sua organização se mantendo firme e inabalável frente ao belo horizonte deixando a mensagem da bandeira de minas clara na sua história “LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN” ou seja, liberdade ainda que tardia.

1 comentários:
Chego á conclusão de que Instituições como essa são ímpares.
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