É difícil vestir a capa negra novamente.
Traves de cortiço me seguram.
Entre um cigarro e um grito.
Entre um erro de português, e um tropeço na quina.
Traga-me tuas roupas, nos seus contornos delicados.
Desenho arco-íris para diluir a vontade do seu pote de ouro.
No fim, não tem pote de ouro, tem controle da vontade.
Vontade que nasce como mais um homem no sertão nordestestino.
Para levantar e derrubar paredes, bater lajes, tomar cervejas em esquinas.
A partir de hoje foi o fim, não ando mais nessa estrada.
E essa capa que esconde meu rosto, e nega minha identidade a estranhos.
Não se veste sozinha.
Lá vou eu, andando pelo parque, pelos mercados.
E todos olham espantados, e se perguntam.
"Como aquele homem sem brilho nos olhos de capa negra faz tão belos vórtices de cor?"
E eu digo, esses halos são pra quem trabalha.
E não se sente digno mais do ouro...
[Felipe Galvan e sua velha capa negra novamente.]
10 Junho 2008
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