19 Abril 2008

Não me esqueço desse cristal que dança

Lento mas a todos alcança

Sem veneno nem pretensão

Com jeitinho de criança

Oferecendo o gosto do sol

Ao mais alto cume

Ao mais simples lamaçal

Ilumina o banquete

E a tapioca mais frugal

De trago em trago

De flor em flor

Favo de cores caridade sem favor

Esse mel é dito com certo fervor

Nas corriqueiras pontes da vida

Caminhos que nos levam

Para as estradas que trazemos

Bem amada comoção

Que foi corda dessa ponte

Aponta como uma flecha ao norte

Ou aponta ao sul com aleatória sorte.

Calça-me ao abismo da vida

Joga-me no caminho da morte

Com o horizonte sorrateiro me assusto

Sou tragado por um instinto divino

E logo dou meia volta astuto

Algo sinistro me vira à volta

Chamo a chuva que vem com luz e o derrete

Logo em breve essa mão me solta

Se eu dissesse malfazejos de meu pai

Será essa maldita mão aquela que me molda

Depois dessa tempestade da mente

Essa chuva se torna um arco íris

O arco íris se torna uma serpente

Protege-me como o olho de Hórus de Osíris

Persegue-me obediente

Mas no mínimo deslize do abrigo da mente

Sentirei no calcanhar seu veneno quente.


[felipe galvan]

1 comentários:

gui_vieiraa disse...

parabéns adorei

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