Não me esqueço desse cristal que dança
Lento mas a todos alcança
Sem veneno nem pretensão
Com jeitinho de criança
Oferecendo o gosto do sol
Ao mais alto cume
Ao mais simples lamaçal
Ilumina o banquete
E a tapioca mais frugal
De trago em trago
De flor em flor
Favo de cores caridade sem favor
Esse mel é dito com certo fervor
Nas corriqueiras pontes da vida
Caminhos que nos levam
Para as estradas que trazemos
Bem amada comoção
Que foi corda dessa ponte
Aponta como uma flecha ao norte
Ou aponta ao sul com aleatória sorte.
Calça-me ao abismo da vida
Joga-me no caminho da morte
Com o horizonte sorrateiro me assusto
Sou tragado por um instinto divino
E logo dou meia volta astuto
Algo sinistro me vira à volta
Chamo a chuva que vem com luz e o derrete
Logo em breve essa mão me solta
Se eu dissesse malfazejos de meu pai
Será essa maldita mão aquela que me molda
Depois dessa tempestade da mente
Essa chuva se torna um arco íris
O arco íris se torna uma serpente
Protege-me como o olho de Hórus de Osíris
Persegue-me obediente
Mas no mínimo deslize do abrigo da mente
Sentirei no calcanhar seu veneno quente.
[felipe galvan]

1 comentários:
parabéns adorei
http://apesardospesares.zip.net/
Postar um comentário