10 Janeiro 2008

Feliz Ano Louco/Bonus Round/do Constrangimento ao Bar - Domingo 6 a Segunda 7 de Janeiro de 2008.

I
Minha Tia me propôs a ir imediatamente até a casa dela pra eu gravar todos os meus dados no meu antigo computador de escravidão. Ela queria formatá-lo há meses, e da segunda feira não passaria. Eu queria aquele computador pra mim, trabalhei pra ela de graça o ano todo, e mesmo de graça me virei pra quitar a dívida de 3000 reais que comecei o ano de 2007. Nunca trabalhe pra parentes, eles podem ser o maior poço de sensatez e responsabilidade empresarial do universo, mas não têm o hábito de pagar salários as vezes até ônibus aos parentes, e eu fui um parente leal, ou melhor... um trouxa. Experimentei até lavar a alma pra descobrir que a regra de "parente-que-nunca-paga" não existe excessão.Ela me disse pra aproveitar e pegar um dinheiro com ela de natal.Saio de casa às duas da tarde, tá uma chuva do caralho na rua, a feira hippie de Belo Horizonte na qual os hippies são perseguidos pelos fiscais da prefeitura estava morrendo em meio do cinza mórbido gerado no céu, porra! ainda bem que tenho um guarda chuva maior que um quiosque, morram de inveja meros mortais.Logo o ônibus chegou ao lado da Igreja São J..., cheguei naquele inferno asfaltado distante e deserto, quase no fim da cidade, toquei a campanhia uma vez, Espero que meu primo esteja dando uma daquelas festas que eu sempre via os restos de Absolute na segunda feira ou escutava a bagunça no telefone, ninguém! Toquei de novo!... Agarrei o celular no bolso e liguei pra minha Tia.É hoje que corto minhas relações com grande parte da família. Escutei barulhos lá dentro. Vieram abrir a porta. Desliguei o telefone. Minha Bisavó, sempre feliz sorridente e carrancuda ao mesmo tempo, enquanto eu conversava com ela, minha Tia sai do quarto dócil descabelada na preguiça pós almoço dominical, me abraça e deixo minha Bisavó falando sozinha. Fomos até o escritório, pra eu levar meus dados inúteis reunidos em um ano de trabalho inútil aos meus bolsos, quando abri a gaveta pra pegar os DVD´s.MALDITOS!!! meus dvd´s se foram. Minha Tia então não sabia o que fazer já que foi cria dela que os usou provavelmente. Não seria cria dela que apagaria meus dados. Eles todos trabalharam, receberam bem o ano inteiro eu nem sequer recebi, deveriam roubar o dvd virgem do Capeta. Essa droga custa um real e cinquenta mas é uma questão de honra!!! HONRA!!! - pensei com meus culhões.Minha Tia falou que não tinha problema não perderia nada do que tinha ali. Ok... Nem queria tanto mais esse tanto de coisa do computador. Mas é teimosia por questão de honra, ou honra por questão de teimosia. Olhei o horário do ônibus, a essa altura só poderia pegar um ônibus pro outro lado da cidade até minha atual namorada Lily. Minha Tia tirou um bolo de notas da gaveta, olhei pro céu e pensei até que enfim, ela se compadeceu do meu trabalho escravo, mas até que eu estava gostando da estória, só faltava um cachimbo, um pouquinho mais de amor ao próximo, e tava virando um Preto-Velho, já estava chamando todas as pessoas de Misifios, e dizendo que meu cachimbo tinha mironga, mas ela não me deu todo o bolo de dinheiro. Na realidade achei muito pouco cinquenta reais, cento e cinquenta seria meu preço mínimo de expectativa pra não me irritar mais com ela e meu Pai. Ela me deu mais dez percebendo que eu olhava o horário do ônibus. O tal maldito ônibus passaria em cerca de dez a quinze minutos, segui novamente pro quarto da minha bisavó, ela veio com milhões de notas pra mim pra minha mãe e um sabonete,
- Vó coloca aqui dentro.- Abri a mochila e ela falava do pano de prato de galo pro meu avô, e uma blusa que ela não comprou pra mim
- Vó coloca aqui dentro
- Não!!! peraí e essa blusa eu comprei pra outra pessoa, e tem sabonete pra sua avó, e cinquenta reais pra sua mãe e...
- Vó o ônibus passa daqui a cinco minutos
-Peraíi minino! Tem também esse pano pro seu avô.
-Uma gracinha o pano de galo, depois a Senhora me entrega não tenho mais tempo o próximo ônibus é só daqui uma hora. Tchau.- Saí correndo, minha Tia foi abrir a porta, eu estava no celular com Sarah, ela parecia deprimida, andei reunindo meus amigos que mais gosto pra xingá-los pois ficaram, chatos, fúteis e barulhentos, mas acho que ainda os amo, não pude despedir direito da minha Tia então corri pro ponto. Ouvi barulho de motor, Passou um ônibus, ARGH eu não poderia correr, meu coração parou......voltou a bater não era o 9411, era o 9211 que alívio. Números parecidos nos assustam.Logo o ônibus chegou, liguei pra Lily:
-Tô chegando.
-Tá onde?
-Subi no ônibus do outro lado da cidade e ele vai direto até aí e para perto da sua casa.
-Tá bom.
Desligou na minha cara como de costume.

II

Cheguei na casa de Lily, tava lá o Filho dela o Igor, parece um misto de pipoquinha e Tartaruguinha feliz.
-Olá Tataluga. Ei Lily.
-Ei amor tô assistindo Harry Potter quer ver?
-Ah, vejo. Aqui, aliás vou no supermercado.
-Você tá louco, o perto daqui tá fechado o outro é longe lá na avenida.
-Pois é passei de ônibus por lá ele tá aberto.
-Não, não come aqui. o que você quer buscar?
-Coisas, sei lá, pra mim pra você, tipo Cacola.
-Aaahhh! Isso mesmo!! tá querendo me ENGORDAR? Cacola dá celulite, dá estrias!
-Tá bom então, Doritos.
-Engorda TAMBÉM.
-Isso mostra que não vejo defeito em você, pois tenho noções básicas de nutrição carboidratos, açucares e tudo mais.
Se eu não tivesse com cinquenta pratas no bolso e não quisesse sair debaixo dessa chuva torrencial sendo que esqueci de trazer um par de meias extras, e se eu não quisesse comprar guloseimas pra ela, aposto que em nome de Murphy ela jogaria na minha cara que não tenho emprego pra satisfazer a vontade tremenda que ela estava de Cacola e Doritos.Doritos parece nome de remédio pra dor de cabeça destinado ao público infantil.
Estresse - Que foi querido? Ah Mamãe a vizinha furou minha bola de futebol nova.
Cansaço - Hoje brincamos de pique-cola.
Doenças - Excesso de açucar que te deixou assim sem sono filhão!
Mas com Doritos nenhuma criança fêmea tem dor-de-cabeça e você sempre pode brincar de médico! e também se auto-medicar, ou seja brincar de médico de gente grande, ou seja duas vezes, ou seja DOUBLE, ou seja cerveja!
Esse medicamento é contra-indicado no caso de suspeitas de dengue.
Ela me deu instruções do que comprar.Se não tiver isso, compra aquilo, se não tiver aquilo compra acolá, se num tiver acolá, compra birutos, se não tiver birutos, compra chucrute de lombinho canadense com flocos de chocolate, se não tiver assim compra assado, se não tiver assado compra sete velas pretas, dezoito bodes dos mais bravos que tiver, Farinha de rosca, uma vela preta de sete dias, quatro espelhos e uma estátua de Belzebuth de 40 cm.
...Segui o caminho cantando com aquele guarda chuva enorme, apareceram dois sujeitos mal encarados cada um com uma sombrinha, a condição do Brasil não permite nem a um criminoso a ter estilo as vezes. Tinha uma guarita com um segurança dentro das grades na frente de uma casa, ele ouvia rádio, eu fingi que não sabia onde era o super-mercado e parei pra perguntar a ele enquanto os maus-elementos vinham na minha direção, dei boa tarde agradeci e sorri, pra eles pensarem que era meu conhecido ali, segui muito caminho, cheguei.As prateleiras pareciam de um mercado Europeu no início de uma guerra. Poucas coisas, mal organizadas, não achei nada de fantástico, comprei a Cacola o Doritos, Chocolates em forma de tartaruga pra homenagear aquela fofura de bebê, duas cervejas e um isqueiro.Voltava pela avenida carregando sacolas e abrindo cerveja com aquele guarda chuva enorme tudo estava sem jeito, que parecia estar em guarda pra me defender de tudo, de cima e de baixo! Além de tudo eu suava como um porco e meu pé gelava com o frio molhado da chuva. Sonhava com um chinelo.Bebi as duas cervejas, cheguei até a casa de cima da Vó da Lily onde estavamos e ela morava.A mãe dela mora na casa de trás sozinha, tem classe e é sistemática, calma e ao mesmo tempo impõe o respeito com classe, sabe mesmo lidar com a vida essa sim é jovem. E nesse dia ela não estava lá. Voltaria apenas no dia seguinte. Cheguei na casa dela.O Filme já estava no fim, graças a Deus, nesse dia eu estava um pouco fora de sintonia com televisão, quase todos os dias estou. Ela não reclamou de nada que eu trouxe... Comeu... e me agradeceu cuspindo farelo no meu olho []. Eu não podia abraçá-la sequer, o avô dela não sabe que sou o namorado, e odiaria saber. O Homem é sério, de cara fechada, nunca me cumprimentou, todos os dias vai ao bar, que ele chama de escritório, bebe dois whiskys de cara amarrada e vai embora. Gosto dele, ele lembra meu passado pois não pretendo ser mais assim, já faço cara amarrada o dia inteiro, todos reclamam!... Foda-se, nem percebo que faço cara ruim, as vezes estou até feliz, mas lá vem os outros reclamarem de cara de bunda, eles que tirem a BUNDA da boca, as vezes estou triste pensando na vida, e estou apenas virando a cara pra não ouvir assuntos como a bunda do Justin Timberlake ou os mamilos da Beyonceé. Eu separo o diálogo da punheta! Então vocês separem no mínimo a MINHA cara da MINHA bunda.Lily ligou pra mãe dela, e pediu para usarmos a casa dela pra dormir.Liberado.Parece que eu entrei numa fase de bônus.
Bonus Round getting crazy? Let´s Rock BABYYYEEEEE!!!
Ela deixou o filho dela na casa de cima, entrou pro banho mandou-me estender a cama, e quando ela saísse do banheiro eu apagasse as luzes, e acendesse as velas amarelas. A Avó dela desceu até lá, eu estava indo pra coçar o saco, mas parei ela chegou de surpresa na casa, me ofereceu comida, perguntei pra Lily se eu podia ir comer na casa de cima, ela disse que não, pois tinha medo de ficar lá sozinha, a Avó dela trouxe o prato, Lily não saiu do banho e me viu à luz de velas, e sim esfregando minha barriga cheia e indo escovar os dentes.
III
No dia seguinte acordo de cuecas, debaixo do edredon, ela me chamou e disse:
-Minha Mãe já chegou!
Levantei coloquei a camisinha usada embaixo do lençol que sobrava pra fora do colchão em frente o sofá e deitei de novo. Então entra a Avó dela na sala que estava nosso colchão e senta num sofá, e a Mãe dela também senta no outro sofá, apoia os pés no colchão, e eu rezo, rezo, rezo pra ela não descer o pé e encostar na camisinha usada no chão. As três conversam assuntos da casa, não me interesso por nada por nenhum assunto pela manhã, gosto de ter prazer no paladar, ou prazer cinestésico, tomar cerveja ou algo assim, prazer verbal não tenho nenhum não acho graça nem em piadas pela manhã, então deixei-as conversar enquanto minhas calças estavam no chão nos pés do colchão e eu não tinha como vesti-las, elas não pareciam se importar, eu estava numa situação engraçada, logo pensei, porque não escrever isso pra alguém ter o prazer de rir dessa? Já que pimenta no cu dos outros é refresco.A Avó dela subiu, a mãe ficou, conversavam e a mãe dela pega um KY no chão, e joga em mim eu escondo sem graça o KY e ela olha pro pé da árvore de natal tem cinco camisinhas que coloquei lá no dia anterior, Lily as pega, e me entrega eu escondo também. Eu ainda tinha medo, a mãe de Lily é sistemática, desceu os pés pro chão, se achasse uma camisinha no chão de sua sala ainda por cima pisando nela, ia querer matar-nos, e depois iria todos os dias no cemitério vestida com uma capa preta como se estivesse de luto e jogar isso na nossa cara e rir, mais e mais sem se arrepender e o pior de tudo com toda a razão. Meu cu não passaria um cisco nesse momento, então enfim a mãe de Lily se levantou e foi embora pra casa de cima também, vesti minhas calças, embolei a camisinha usada no papel higiênico joguei no lixo, guardei as cinco camisinhas e o KY na mochila deitei novamente e respirei novamente e ri novamente. A mãe dela chega de novo e senta no mesmo sofá, só que agora ela poderia até sentar-se no teto que não tinha mais perigo. Ela disse:
-Que sujeira é essa?
-é do incenso.-Disse Lily
-Que porqueira é essa? Vou MATAR vocês dois! Pra quê arredar todos os móveis? O colchão cabia ai mesmo, agora VOCÊS vão colocar tudo no lugar.
-ah tá bom mãe!.. a gente não sabia que você ia chegar tão cedo.
-Foi a sua Avó que falou algo a respeito de emprego comigo e me fez chegar cedo à toa.[perceberam como ando calado?]
Lily levantou-se jogando o edredon todo pro meu lado. A mãe dela deu um sorriso de Exu-Mirim e:
-Hum, Rolou uma cinta-liga ontem.
[Nessa hora sim, eu quis sumir, mas fazer o quê?]
-Mãe você é muito bico!
-Bico não! Tô na minha casa!
Concordei com a cabeça.
-A culpa "mã" é do Galvan que deixa tudo desorganizado.
-EU??? Tava dormindo que droga! Hmph, você Lily que adora jogar a culpa "ni mim".
Minha ex-não-sogra levantou-se novamente, e entrou no banheiro, e perguntou quem fez aquela sujeira no banheiro!... Ela tinha algo como sangue na voz. E Lily retrucou imediatamente:
-Eu que tomei banho e...
-Não Enxugou???
-Tá, não enxuguei mas foi o Galvan quem pisou.
-Galvan TE MATO.
então retruquei:
-Aqui pode deixar que eu limpo na boa....
-Não me interrompe enquanto decido como vou te matar, calado, eu continuo falando.
Ela falou, mas eu não me lembro o que. Lily almoçou e disse que iria a Lan House a avó perguntou se não iria esperar o meu almoço pra eu comer e ela falou com a avó que problema meu ficar sem almoço, que eu iria na Lan House com ela. Fui até a porta da Lan House, falei que a gente se encontrava depois, comi um salgado imenso na lanchonete [mataram mais de um porco pra fazer aquele enrolado de presunto] , e fui procurar um bar, segui o inverso da r. Padre Eustáquio, mas lá nos únicos dois bares próximos estavam interditados um de frente pro outro, e vejo lá dentro de um deles a cabeça mal-encarada do avô dela, era o escritório, eu não tinha negócios pra tratar com ele. Ele não podia saber que eu dormi no mesmo lote que ele. Segui a direção inversa, achei um bar cinza, o dono era velho, e vestia roupas de jovem e ouvia músicas de jovem, pedi uma Brahma, Segunda-Feira dia do bebum profissional, afogado nas paredes cinzas, e no verde cintilante em contraste da mesa de sinuca, e lá no alto, prateleiras como pequenos altares, as garrafas olhavam o horizonte, a de vinho barato parecia um pouco mais solene a de martini parecia maternal e condenscendente com nós meros mortais aqui embaixo, a música estava um saco, um tanto de afro-americanos cantando fino ou calmo tentando voltar as suas raízes numa patética tentativa de ser sensual, passou um negão alto do outro lado da rua mancando com uma bengala, queria ser amigo dele, continuei bebendo e o homem velho-modernite saiu de dentro da toca dele, com uma mulher feia, me esqueci agora com o que ela parecia, meu tio está há dias no aqui no orkut ou alguma outra página azul cheia de fotos me impedindo de escrever direito, acho que a mulher tinha cara de taz-mania algo assim, bom era assustadora, na hora eu fiquei louco pra escrever sobre ela, agora já esqueci, o negão manco voltou entrou no bar sorriu pra mim e me cumprimentou, eu o cumprimentei de volta, depois disso não pude esconder o sorriso eu estava me sentindo em casa, naquele bar cinza tinha pessoas realmente legais que não faziam muito barulho, e separavam a punheta da conversa, fui pra porta da Lan-House triste de abandonar meu novo escritório, encontrei Lily de novo, em uma hora e meia, acho que vivi mais do que todos aqueles idiotas "gozando a vida" em jogos nos quais babuínos da bunda branca de máscara de enfermeira jogam bosta um no outro, e ganha dinheiro quando pisa na merda, e ganha merda quando abre um baú, e pode vender essa merda por dinheiro real. Fomos embora, e ela deu a idéia de alugar um filme, ela me queria mais uma noite por lá, eu não queria ficar, imagine o estado dos meus tênis? Mas ela conseguiu de novo. Tirei aquelas meias nojentas, sabendo que teria que vesti-las novamente no dia seguinte.

[Felipe Galvan]

2 comentários:

Net Esportes disse...

e que belo roteiro "Bukowski" !!!!

Feänor disse...

Trabalhar pra parentes E amigos é foda, nunca espere receber, porque nada deles virá...

Agora, uma dica pra você: corta o texto em parágrafos, senão fica difícil a leitura, em especial pela extensão.

Abs!