Olhando pra´ quele pano violeta
Jogado ao chão ignorando o ardor da tarde
Da cor do seu quarto
Deu-me saudades de quando éramos aquele pano
Apenas uma coberta violeta
Um quarto disforme
Aonde o sol batia
A procissão passava
A pobreza sorria
[A riqueza mutava
E nós ali, na nossa coberta
Como se o tempo não passasse
Esquecemos a idéia mecanicista
Esquecemos Descártes
Voávamos do concreto
[ À ferrugem mais agradável
Uns eram presos
Outros reabilitados
Outros corrompidos
Tapas
Luvas
[Manipulações
Como se a chuva não passasse
Esquecemos e,
Agora retomamos
Um gole no campari
Me faz lembrar quanto é breve a doçura
E imediato e persistente
O amargor

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