25 Setembro 2007

24/09/2007 Abuso de Autoridade, Individualismo, dos dedos e do Fígado.

Fim de semana no auge do individual, já que esquecidos, estudo, família e amor.
Contabilizando o Sabath, 30 Reais bem gastos, em uma caixa de doze cervejas e uma garrafa de campari, quatro limões, fora isso, 128 kb de Internet, um violão, dez dedos, seis cordas, seis músicas aprendidas, milhões de erros, bilhões de acertos, infinita paz.
Ao cair da noite de sábado, pouca luz, sem platéia presente, encerramento calmo do show de mim pra eu, "Todo Amor que Houver Nesta Vida", derramei todas as lágrimas que houver nesta vida, fechando a contabilidade do dia com 15 minutos imerso na solidão que fingimos não ouvir todo dia nessa cidade barulhenta. Mais parecia uma cirurgia que tirava bifes e bifes, cânceres e tumores, de luz morta fora de meu corpo, as vezes podemos ser o Pus da onipresença do pai nosso de cada dia.
O domingo começa parecido, Resto de Campari, música menos, pois havia azia nas pontas dos dedos. Mais a noite sigo caminho da rua, e dá-lhe chopp, "tá bem eu aceito", na mesa Talita, André, Vina, Fumingo e Lazlo. Rápidinho eu Fumingo e Lazlo fechamos-nos em torno de um violão, conversa boa, busquei o meu violão também e seguimos sem o resto do Pessoal à Praça. Lá não nos deparamos com as melhores companhias, e se deparamos, os mesmo não queriam muita conversa. Mas então rapidinho a Sol se junta a nós. Ela é legal, acho que gosta de conversar comigo e tem uma bunda que melhora o ambiente. Peregrinamos de bar em bar, ou não aceitavam o cartão que iriamos pagar, ou não permitiam violões no ambiente. Legal, vocês nem são dignos de ouvir solos do Testament mesmo, sem vontade de dar pérolas aos porcos e aos rodízios de massa, fomos putardos ao supermercado, tem gente que não lembra da ida, tem gente que não lembra da festa, as vezes da volta, ou como foi acordar em um lugar, eu nunca me lembro do super-mercado... trava mental.Orloff Mix, praça uma escada redonda tranquila encruzilhada de seis pistas, Sol se ria de besteiras comigo, Lazlo ensinava Fumingo sua vasta musicalidade putarda. Moradores de rua então chegam respeitam nosso alcool o que os torna muito gentis, bastando ao meu ver. Quando toquei "Me Chama" do Lobão aprendido no dia anterior, acompanhado pelo canto deles, fiquei surpreso, mas logo isso passou e deu lugar a um sentimento estranho, já que quando eu era criança essa música era de auxílio a uma campanha de menores abandonados, hoje todos nós eramos maiores de idade. Com isso passou o tempo, e eles já tinham suas esposas que os chamavam pra comer algo e ir dormir logo, e eu não tenho isso, mas tenho que trabalhar amanhã para nada, quem é mais mendigo? A minha diferença é que durante a semana tento fingir que sou gente do jeito que sr. Roberto Marinho sempre quis. Por isso me nego a meu sobrenome original, e agora sou de fato, Felipe Galvan. Nome de ave, olhos de abutre, talvez de cão selvagem, quando necessário carniceiro.Cansados fomos levar a Sol, já era alta madrugada, queria dormir os ossos pareciam madeira podre boiando no mar morto do inconsciente coletivo regional. Fomos abordados por "guardas" Municipais de forma agressiva-verbal por tocarmos violão em frente de uma casa abandonada, eles tinham medo, nós não. Eles nos confundiram com adolescentes que não conhecem o próprio direito, ééé...No mar de alienados acéfalos vocês trombaram tubarões, que até a lingua é afiada, tanta gente pra embucetar, e vem logo na gente, na verdade não tinha ninguém passando na rua, deviam ir pra suas guaritas assistir sexy time, ou ler um livro de verdade que não essas leis lusitanas batidas que possuímos com remendos.O magro era folgado e olhava nos meus olhos com raiva, eu ria por dentro, e mantinha minha postura fria ali, de alma lavada não dava a mínima, e pronto pra atacá-lo mais do que eles imaginavam, e o mais importante, a Razão estava do meu lado. Só que nesse dia ela resolveu manifestar no corpo de Lazlo, o forte voltou-se contra eu e Fumingo mandou-nos sair, ignoramos como se comprassemos uma briga, enquanto o Magro, levava um puta sermão judiciário e intelectual do que ele julgava ser um metaleiro adolescente. E tomava sem poder reagir tomava palavras, mas nisso eu estava com vontade de bater já, Que sermão, primeira vez que vejo um homem rosnar igual um leão, pois juba ele já tem. Na década de oitenta todos tinham.Quando disse que não éramos trabalhadores como eles, retruquei imediatamente com minha única palavra da discussão, "Nãããooo imaginaaa, e tenho que estudar também não viu amigo? já que você diz!" Fumingo permaneceu calado, sentiu medo, mas manteve a postura, gosto dele! Mas as vezes ele pode ser até mais ignorante que esses guardas, devem ser hormônios excessivos.Essa foi a gota d´água a eles, vencidos pelo auto=desgaste de tentar discutir, e com a cara no Chão deixamos=los, e eles diziam "sai quebrado" então vários de nós respondemos várias coisas, "tô saindo porque tô com sono", "saio porque eu quero, direito de ir e vir" "claro que sim, pois trabalho amanhã, deixamos Sol em casa. E na volta paguei de repentista e próximo desses guardinhas danei a tocar violão e berrar de forma repentista o Lixo humano que me abordou, veio me falar de direitos, e não sabe nem a hora de cagar.Em casa, embora feliz vomitei, tomei banho, e fiquei com saudade de autoridades de verdade por perto. Ficar no topo da própria vida faz frio e é desgastante, Fora transe, Sim equilíbrio.

[Felipe Galvan]

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